Dia das Mães: de movimento social a maior data comercial do ano

Depois da Páscoa, as lojas começam a se organizar. Tira-se os coelhinhos e as rosas ganham espaço. Comemorado no segundo domingo de maio, o Dia das Mães segue sendo a data que gera mais lucro para os comerciantes — de produtos de beleza a eletrodomésticos, tudo vira presente.

 

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Porém, nem sempre foi assim. Em sua primeira instância, o Dia das Mães tinha como intuito questões sociais promocionais, como a paz e melhorias nas escolas. Inicialmente foi lançado por ativistas contra a guerra em 1872. A autora Julia Ward defendeu o Dia das Mães pela paz, no qual as mulheres se reuniam em igrejas, salões e lares para ouvir sermões, cantar e rezar pela paz. Cidades americanas como Boston, Chicago, Nova York e Filadélfia realizaram cultos anuais até 1913, mas foram cessados quando o mundo entrou na Primeira Guerra Mundial.

Em fevereiro de 1904, Frank Hering, professor da Universidade Notre-Dame, em Indiana, nos Estados Unidos, fez um discurso intitulado “Nossas Mães e sua importância em nossas vidas”, sendo assim o primeiro apelo público para que fosse criado um feriado para o Dia das Mães. Embora Hering e a instituição sejam ainda considerados os fundadores do feriado, os esforços incansáveis de Anna Jarvis trouxeram a consolidação dele.

Anna Jarvis/Reprodução

Anna Jarvis trabalhou para tornar o feriado uma realidade, com o intuito de homenagear sua mãe — que esteve nos cultos proporcionados por Julia Ward. Em 1908, quando Jarvis elaborou as primeiras comemorações, escolheu o segundo domingo de maio para homenagear o aniversário de morte de sua mãe.

O feriado, sem dúvidas, é uma resposta ao tempo e dinheiro gastos por Anna. Uma comemoração inicialmente norte-americana passou a ser um feriado nacional por conta da sua campanha. Entretanto, ela rebatia veementemente quem tentava transformar a sua homenagem em uma campanha comercial. Fazendo demonstrações públicas de revolta pela mercantilização, Anna chegou a comprar um buquê do Dia das Mães apenas para jogá-lo fora como protesto. Ela queria que o feriado fosse um dia de reflexão entre mães e filhos. Infelizmente, o seu plano de destruir o mercado não deu em nada, e Anna Jarvis passou o resto de sua vida pobre e em um sanatório — respondendo a todos que era a criadora do “Dia das Mães”. Atualmente, o feriado é um dos que mais gera lucro para os empreendedores, e o que era para ser reflexivo foi apagado pelo brilho do valor comercial. A história de Anna Jarvis pode ter sido esquecida no meio de presentes e flores, mas o feriado segue sendo o seu maior legado.

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