Abraçada pela maioria dos brasileiros, a droga lícita de gosto amargo e servido quase fervendo nunca saiu de moda. Mesmo com energéticos de latas coloridas e atraentes, propagandas prometendo asas e edições colecionáveis a tradição do copo de café segue firme na vida do povo brasileiro.
Foto e texto: Dante Emmanuel
O ato de beber um copinho (ou uma caneca) de café vai muito além da necessidade de ter energia para aturar um dia de estudos ou trabalho. É uma tradição secular. Ao beber café, navegamos pela história do Brasil, da sua política e economia. Vivemos, no paladar, um gosto amargo, sentindo a alta temperatura do liquido preto, onde é consumido independente do clima. No calor de Salvador ou no frio de Vitória da Conquista, sempre se assopra o café antes de bebê-lo. Um ritual seguido por charme e necessidade há anos.
Na rua General Labatut, nos Barris, o octagenário vendedor de café, Seu João, sustenta sua familia com a banca de cafezinho. Seu João está no ponto há mais de trinta anos e diz que é ali onde ele vive os grandes momentos do seu dia: “Desde 1990 eu tenho esse ponto. Por aqui já passaram grandes nomes, como Jimy Cliff, Margareth Menezes, Gerônimo Santana e Juca Ferreira. Aqui bebemos café e, principalmente, cultivamos amizade.” Na banca, reúnem-se amigos para debater todos os tipos de assunto. Política, religião, economia e sexualidade são assuntos pertinentes na banca. Sempre com um um copo de café na mão e muita conversa, o grupo de amigos se juntam há anos para se encontrar toda semana na clássica e respeitada banca de Seu João.

Café como um companheiro
Fiel parceiro dos trabalhadores e estudantes, beber café se torna parte importante do dia de milhões de brasileiros. Quem nunca tomou aquele café pra “acordar”? O trabalhador brasileiro tem uma relação familiar com o cafezinho. Não à toa até o chamamos no diminutivo, o que mostra carinho e intimidade.
O universo do café também também se expande para profissões. A página no instagram Fazedores de Café realiza um trabalho de formação de jovens em situação de risco na profissão de barista.
Ver essa foto no Instagram
Um post compartilhado por Fazedores De Café (@fazedoresdecafe)
“>
No trabalho, nas lojas ou na rua, o brasileiro dificilmente recusa um copinho de café.